O fracasso das UPP’s | Douglas Rafael da Silva Pereira vitimado pelo estado
Por Gean Wyllys
Hoje, 23 de abril, o laudo do IML atestou que
o dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, um rapaz de apenas 25 anos,
dançarino do grupo Bonde da Madrugada, que faz parte do programa
"Esquenta", morreu devido à hemorragia interna provocada por um
objeto transfixante, que perfurou o seu pulmão, talvez um tiro.
Ainda de acordo
com o laudo, o rapaz sofreu corte no supercílio, afundamento no crânio e soco
no nariz.
Até então, a versão oficial da polícia é que
Douglas fora encontrado morto dentro de uma creche, após cair ao tentar pular o
muro. A versão de alguns moradores já acusava a morte violenta por
espancamento.
Douglas engrossa o número de jovens negros da periferia, das
comunidades, que são mortos e encontrados mortos dia após dia, em um Estado que
negligencia parte de sua população. Jovens anônimos em sua quase totalidade,
invisibilizados pelo senso comum que associa diretamente a pobreza à violência.
Um senso comum alimentado por uma política de
guerra às drogas que atinge apenas os mais pobres, os mais jovens, e em
especial, os jovens pobres e negros. Uma política que esconde execuções
sumárias, como o caso de Amarildo, bastando apenas relatar tais mortes como
"autos de resistência".
Quem se preocupará em investigar?
Após a morte de Douglas, moradores foram às
ruas em protesto e assistimos a mais violência: durante a manifestação um homem
foi morto com um tiro na cabeça.
As versões, como sempre, são conflitantes, o
que fica realmente desta história é a lembrança diária e amarga do alijamento
de tantas pessoas dos direitos civis básicos que deveriam ser garantidos a
todos os cidadãos, como a segurança pública, por exemplo. O que fica é a perda.
A perda de um jovem inocente, de um dançarino dedicado e sonhador, de um pai de
uma menina de apenas 4 anos, do filho de uma mãe que terá de lidar com a dor da
perda de seu filho, como tantas mães de tantos Douglas mortos, assassinados,
anônimos.
Enquanto o Estado não assumir sua parcela de
responsabilidade, se prestando à discussão séria e não-eleitoreira, que passa
diretamente pela revisão da política de combate às drogas, do fim da
marginalização, da presença real dos serviços do Estado nas comunidades,
continuaremos presenciando massacres diários como este, seja por parte das
polícias, seja por parte do crime organizado, que funciona com a conivência do
próprio Estado às custas da corrupção de seus agentes públicos.










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