Desperdício e sucateamento no centro da crise de abastecimento

Reportagem de setembro de 2013 já denunciava a ineficiência operacional do SAAE em Calheiros, onde é comum a população ficar desabastecida com a estação devolvendo água ao rio

Na ocasião o problema se encontrava em um defeito no filtro da estação que não comportava o volume de água captado na serra, tendo o sistema que devolver a água excedente sem tratamento ao rio, segundo informou o operador de plantão que a capacidade de tratamento do filtro não chegava a quarenta por cento, quando o problema não é com o filtro, se encontra na bomba.


As mazelas provocadas pelos inconvenientes do poder chegam ao absurdo de submeter uma comunidade inteira passar todo fim de semana sem água para consumir, e com todos sabendo que a estação estava descartando água no rio. 

A crise hídrica nada tem de climática e não é fato novo, e sim uma questão operacional e gerencial, e o principal, a crise é uma questão probidade. Termo muito ausente no atual governo.

Na mesma ocasião em que reportava sobre o defeito no filtro, na mesma estação de Calheiros pude constatar a total desorganização e irresponsabilidade que as estações do SAAE são geridas, no caso em tela fotografei sacos de materiais de tratamento, como areia para filtro estragando a céu aberto, sem nenhum armazenamento adequado.
E segundo relatou o operador, que o material fotografado estava daquele jeito fazia uns três meses, e ainda completou informando que tratava-se material de elevado custo que já estava desperdiçado devido as ações do tempo.

Podem ter certeza que este retrato da ETA de Calheiros é o padrão em todas as demais estações do SAAE, para termos a dimensão da irresponsabilidade da turma da prefeita que cuida de nossa água, a grande obra de saneamento do bairro Lia Márcia que deveria ser o primeiro grande passo para a recuperação do rio Itabapoana, se tornou em caso de polícia, e da Polícia Federal.

Somando forças as mazelas hídricas municipais, temos em uma sórdida parceria com a prefeita, o governo do estado com sua famigerada CEDAE que além de expor toda população da sede do município na deterioração do amianto cancerígena no fornecimento de água, a mesma ainda promove um catastrófico processo de desperdício de água tratada em todos os cantos da cidade.

Se vivêssemos em um lugar sério e com um judiciário independente em esferas superiores, a prefeita e sua equipe já estariam presos, é estarrecedor sabermos que a cidade está sendo comandada por um grupo de inconsequentes que sequer consegue garantir água de qualidade e com regularidade com os contribuintes.

A sociedade parece que ainda não se atentou que a crise de abastecimento hídrico que vivemos é fruto do deteriorante processo de corrupção estabelecido em nossa prefeitura, e o desolador é observar que a maioria absoluta permanecerá de braços cruzados assistindo ao saque orçamentário com reflexos trágicos em nosso futuro cada vez mais sombrio.

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